Açaí de Feijó, no Acre, recebe Indicação Geográfica; o que faz ele ser único?

O reconhecimento beneficia os produtores da região ao garantir a autenticidade do fruto nativo.

Há cerca de 360 km de distância da capital acreana Rio Branco, o município de Feijó se destaca pela produção de açaí e acaba de conquistar a primeira Indicação Geográfica (IG) para o produto no Brasil. O reconhecimento garante um ‘selo’ de autenticidade do produto do bioma amazônico, que funciona como um selo de comprovação que o fruto é de determinada região.

Quem certificou o açaí de Feijó foi o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no dia 12 de setembro, quando saiu a oficialização na Revista de Propriedade Industrial. Com a IG, produtores locais podem se beneficiar com incremento de preço do fruto nativo.

Para ser escolhido como único, o fruto é avaliado em qualidade, visual, sabor, produtividade e valor agregado ao município.

Esta é a 116ª Indicação Geográfica do Brasil, sendo 83 Indicações de Procedência (todas n=acionais) e 33 Denominações de Origem (24 nacionais e 9 estrangeiras).

O açaí, nativo das várzeas da Amazônia, é cultivado em Feijó de acordo com técnicas tradicionais. A cidade é a segunda maior produtora do Acre, atrás apenas do município de Acrelândia.

Embora os números de área colhida pareçam inexpressivos no Estado – não representa nem 1% do total do Brasil (mais de 233 mil hectares) – há 235 mil pés da palmeira com rendimento médio é de 5 mil por hectare, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2022.

De acordo com a documentação apresentada ao INPI, o açaí cultivado e extraído do município de Feijó é essencialmente utilizado na produção de alimentos e bebidas e atualmente é o principal produto do município acreano de apenas 35 mil habitantes.

A produção local acontece durante o ano todo, em regiões distintas da cidade, com área de 24.202 km², o segundo maior do Acre.

Em Feijó, o fruto é um “tesouro” dos produtores, quando se fala em valor agregado por conta da qualidade e da quantidade. Em 2021, por exemplo, foram 1800 toneladas coletadas no ano, segundo o dados mais recente do IBGE.

A Cooperativa de Produtores, Coletores e Batedores de Açaí de Feijó, que foi a requerente do pedido de IG, afirmou que a expressão “açaí de Feijó”, muito usada pelos acreanos, funciona como uma espécie de garantia de qualidade e sabor.

Para o presidente da Cooperativa, José Giovanni Nascimento, “a IG do açaí é importante em três grandes pilares: o primeiro é não perder a identidade; o outro é a parte econômica e a competitividade do produto e sua valorização de mercado; o terceiro é a sustentabilidade que contribui para manter a “mata em pé”, porque mais de 99% hoje da nossa produção é natural e nativa”, comentou em nota.

Fonte : Golob rural

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